INTERVIEW ANNE LOUISE

A DJ que atualmente é a maior referência na música eletrônica brasileira, tem também uma grande visibilidade na cena LGBTI+, sendo uma das mais requisitadas para grandes festivais de música eletrônica pelo Mundo àfora e os melhores clubes gays no país, dentre eles destacamos a The Week .

Anne, como é carinhosamente chamada pelo público, bateu um papinho comigo por e-mail, e como sempre, seu carisma e sua atenção com nossa equipe foi primordial para que pudêssemos finalmente atender as expectativas de muitos leitores do GLS PLANET, Maior portal GLS da América Latina que faz parte do casting de sites controlados pelo grupo CRIAR2, completando este casting com o HeyDeeJay e PanoramaCult.


ENTREVISTA

Descobrimos que você é advogada de profissão! Como surgiu a ideia de abandonar tudo e arriscar às cegas a profissão de DJ tendo em vista que Salvador tinha uma certa limitação à respeito da música eletrônica com o fortalecimento de núcleos como Pragatecno que, na época de seu surgimento era tão consistente. O que você leva em consideração a sua força como DJ, mulher e vitoriosa numa cena tão underground naquela época?

Na realidade eu nunca fui apaixonada por Direito. Era uma boa aluna, então acabei passando no vestibular da UFBa, mas logo percebi que não era o que preenchia o meu coração. Já a musica sempre esteve na minha vida, meu primeiro instrumento ganhei aos 5 anos. Era inevitável te-la em minha vida. Em momento algum eu pensei a discotecagem como minha profissão, então não ligava para essas questões de limitação da cena, só queria estar conectada a música. Como uma das pioneiras da cena, foi difícil encarar uma profissão tão masculina. O desrespeito era visível em alguns casos, mas creio que isto só me fortaleceu.

Sua carreira está sendo construída com base em muitos estilos diferentes dentro da música eletrônica. Isso aconteceu sempre naturalmente ou em algum momento foi uma adaptação ao mercado?

Bem verdade, mercado foi algo que pouco liguei ate muito pouco tempo. Eu sempre segui meu instinto. Comecei num viés mais underground, mas foi depois de trabalhar com Claudia Leitte e ter minha propria banda que cai mais na cena comercial. Até que, ha mais ou menos 4 anos, decidi que queria focar na cena gay, a cena comercial hétero não me deixava feliz, apesar de remunerar mais. E foi então que comecei a focar no estilo tribal house e me encontrei bastante.

DJs de pendrive, vinil e CD. Na sua opinião, quais os prós e os contras?

São evoluções do tempo. Entre CD e pendrive não ha diferenças no manejar do equipamento. O vinil. que sou muito apaixonada, proporciona maior dificuldade técnica. Já pensei em tocar somente com vinis, mas seria complexo viajar com todos os aparelhos, haja vista que os clubes do Brasil e fora oferecem comumente cdjs nas cabines.

Você é bem conhecida por ser uma DJ que, além de talentosa, possui um visual destacável. Esse estilo fashionista acaba se tornando um elo entre você e o público ou tem muito a ver com o estilo que você toca também?

Eu sempre gostei de moda. Moda mesmo, não marcas famosas; isto pra mim é a praga do mundo. Então é inevitável trazer isso pros palcos, porque toda a arte é interligada. Ao trabalhar com o meio gay, esta preocupação se tornou ainda maior, o publico é extremamente ligado a tudo isso, se você repete uma roupa, se usa sapatos altos, se muda o estilo ou o corte de cabelo.

Ganhar o mundo como DJ não é para muitos! Como você avalia a sua trajetória e todo o caminho percorrido até chegar a DJ que é hoje tão respeitada na cena e por ser tão nova?

Sinceramente estou me sentindo muito abençoada. Conseguir ascender internacionalmente em tão pouco tempo de cena é algo que nem no meu melhor sonho poderia acreditar ser real. E muito orgulhosa de mim, por ter conseguido sempre me manter fiel aos meus princípios e batalhar por isso com muita lisura e integridade, proporcionando ao publico sempre ações inéditas no meio e, sobretudo, uma artista de alma completamente entregue a eles.

Este sucesso não lhe faz temerosa num futuro mais à frente?

Na verdade eu não encaro este momento como “sucesso”, porque sucesso é quando seu objetivo traçado é conquistado. E eu ainda não cheguei nele. Mas se tudo correr bem, chegaremos lá! E quanto a futuro, já estou pensando bastante nele, traçando planos. Todo este mundo é muito fullgás, então tenho que estar preparada para os ciclos, inclusive pro final deles.

Como formar uma carreira sólida e obter sucesso profissional? O que diria para as novas gerações de DJs?

Em minhas aulas costumo dizer que um DJ hoje precisa ter atenção equilibrada a 5 pontos. Os dois primeiros (tecnica e música – pesquisa ou produção musical própria) são o lastro para que um dj seja considerado BOM. Mas hoje os diferenciais de um profissional estão na manutenção de network e mídias sociais, construção de uma imagem artistica e performance de palco.

É possível sobreviver apenas como DJ?

Cada vez menos isto sera possível. Hoje vivo de ser DJ, mas trata-se de uma profissão que pra vários é um hobby. E quando vc não precisa daquele dinheiro para pagar suas contas, você pode investir mais do que o que o próprio produto ou, quiçá, a cena merece. E isto tem acontecido cada vez mais, o que esta criando um universo em que os artistas mais vencedores serão os que mais investem financeiramente. A imagem e o dinheiro vão acabar, pouco a pouco, engolindo o talento e a emoção causada pela arte puramente simples. Isto já aconteceu em outras áreas da cena eletrônica, como o EDM. E tende a acontecer com muitas outras, incluindo o tribal que trabalho. Sou a favor do equilíbrio. Mas numa era de ode a Beyoncé, Rihanna e afins, é difícil o publico visualizar a musica sem a imagem forte.

Agora uma pergunta que também foi feita para outros colegas seus e que iremos lançar num conjunto de ponto de vista de cada um: Por fim, em toda sua carreira você pôde acompanhar o desenvolvimento da cena eletrônica e muitas mudanças. O que pode destacar para nós?

Comecei muito nova. Já tenho 15 anos de trabalho na cena eletrônica. Quando comecei, me lembro de curtir os sets dos djs sem saber nem como eram. A cena eletrônica era pequena, setorizada, underground e de pouco investimento. De 10 anos pra ca, passou a ser um grande negocio, internacionalmente inclusive. É um caminho sem volta. Os mais tradicionais e puristas djs insistem numa formula antiga. E não percebem que hoje a musica eletrônica se tornou a musica mais pop do mundo e que aqueles poucos e bons ouvintes se transformaram em multidões que querem cantar refrões e fazerem coreografias. Fui de uma época… mas me adaptei a outra. Aquariana, né? E que venham as próximas!

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